ECLIPSE LUNAR PARCIAL PROFUNDO & LUA CHEIA EM PEIXES

ECLIPSE LUNAR PARCIAL PROFUNDO & LUA CHEIA EM PEIXES

“Nós merecemos sonhar.”

No dia 28 de agosto, pela madrugada, o céu oferece-nos um daqueles momentos em que a luz e a sombra parecem dançar numa linguagem que não precisa de palavras.

Em Lisboa, o eclipse lunar parcial atingirá o seu máximo por volta das 05h12, muito próximo do momento exato da Lua Cheia, que acontece às 05h18m15s, com a Lua a cerca de 5 graus de Peixes.

A música e a poesia andam no ar. Há qualquer coisa de subtil a despertar, como se o céu nos convidasse a abrandar, a escutar e a olhar a vida de um lugar mais compassivo, empático e altruísta. Talvez seja tempo de escolher o sonho, não como fuga da realidade, mas como uma forma mais profunda de a transformar.

Os eclipses lunares acontecem quando a Lua Cheia atravessa a sombra da Terra, criando no céu um encontro entre luz e obscuridade. Nesta madrugada, a Lua estará parcialmente mergulhada nessa sombra, num fenómeno particularmente expressivo e visível a partir de Portugal. Em Lisboa, o eclipse parcial começa por volta das 02h23 e atinge o seu máximo às 05h12, antes de a Lua se aproximar cada vez mais do horizonte poente, e termina 07h07m.

Simbolicamente, um eclipse lunar fala-nos de emoções, memórias e conteúdos que habitam zonas mais profundas de nós. É como se aquilo que permanecia escondido na penumbra encontrasse, por breves instantes, uma fresta de luz para ser reconhecido. Podem emergir nostalgias, inseguranças, medos antigos ou questões ligadas à família, às raízes e ao sentimento de pertença. Não necessariamente para nos prender ao passado, mas para que possamos olhar para ele com mais consciência, compaixão e amor.

Os Eclipses são muito potentes energeticamente, pois aceleram e intensificam as oportunidades de nos alinharmos com a poesia e magia cósmica.

E que privilégio podermos observar este encontro entre a Lua, a Terra e o Sol a partir de Portugal.

A Lua Cheia em Peixes, por volta dos 5 graus, encontra-se diante do Sol em Virgem, formando um eixo entre o sensível e o concreto, entre o sonho e a realidade, entre a entrega e a necessidade de organizar, discernir e cuidar.

Peixes convida-nos a mergulhar. É água profunda, intuição, imaginação, sensibilidade, espiritualidade e compaixão. Nesta Lua Cheia, pode tornar-se mais evidente o ser humanitário que existe em cada um de nós e a capacidade de transcender aquilo que, no quotidiano, parece limitar-nos. É um convite a escutar não apenas aquilo que pensamos, mas também aquilo que sentimos; não apenas aquilo que conseguimos explicar, mas também aquilo que a alma reconhece silenciosamente.

Há momentos em que a resposta não chega através da razão. Chega através de uma imagem, de uma música, de um sonho, de uma conversa inesperada, de uma sensação que não sabemos de onde vem. Esta Lua pode abrir espaço para essa inteligência subtil, para a inspiração que nasce de lugares profundos e para uma criatividade particularmente fértil nos mundos da arte, da música, da poesia e da imaginação.

Ao mesmo tempo, o Sol em Virgem recorda-nos que sonhar também exige presença. Que a inspiração precisa de corpo, cuidado e pequenas escolhas para se tornar realidade. O céu parece assim perguntar-nos: como podemos trazer o sonho para a vida quotidiana? Como transformar a sensibilidade em gesto, a compaixão em presença e a visão interior em algo concreto?

A tensão entre a Lua e o Sol encontra ainda a energia inquieta de Úrano em Gémeos, trazendo movimento aos pensamentos, às palavras e às formas como comunicamos. É um céu que pode acelerar ideias, reações e emoções. Por isso, talvez uma das maiores sabedorias destes dias seja simples: respirar antes de responder. Escutar antes de concluir. Sentir antes de agir. Nem tudo o que sentimos precisa de ser imediatamente dito, e nem tudo o que pensamos precisa de se transformar numa resposta.

Há uma dança entre o inesperado e o intuitivo, entre aquilo que queremos compreender e aquilo que simplesmente precisamos de sentir. E talvez seja precisamente nessa dança que encontramos novas possibilidades.

Este eclipse pode ser vivido como uma passagem simbólica: uma oportunidade para deixar cair algumas ilusões, reconhecer emoções antigas e abrir espaço para uma forma mais verdadeira de estar na vida. Não se trata de controlar o futuro, mas de escutar o presente com mais profundidade.

Olhar para o nosso mapa astrológico pessoal pode ajudar-nos a perceber em que área da vida este eixo Peixes–Virgem se manifesta com maior intensidade, sobretudo onde se encontram os primeiros graus destes signos. É aí que, simbolicamente, podemos sentir que alguma coisa pede atenção, consciência, conclusão ou simplesmente uma nova forma de ser vivida.

Durante estes dias, permitamo-nos estar mais perto do invisível. Daquilo que não se explica, mas se sente. Da música que nos atravessa. Da poesia que nos devolve a nós próprios. Da beleza que aparece quando deixamos de exigir respostas imediatas à vida.

Talvez tenhamos mesmo dois dias e meio para escutar o mais subtil de nós e perceber que sonhos querem continuar a viver. E talvez os próximos meses sejam o espaço necessário para lhes dar forma, presença e realidade.

Porque sonhar também é uma forma de acreditar na vida.

E talvez, neste momento, mais do que nunca, nós mereçamos sonhar.

Partilhar para crescer juntos, com amor, paz, liberdade e esperança.

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